quarta-feira, 20 de maio de 2015

Lucy.

A guiei pela mão na a trilha rasa  que serpenteava na plantação de trigo dourando o horizonte. No final da trilha forçamos as pernas para subir a colina e então lhe entreguei meu segredo mais puro. Estávamos no meu recanto de paz.

Havia uma árvore grande e milenar, com majestosos galhos que pareciam ter passado a vida a procura de um beijo do solo; curvados eles nos serviam como assento. Ficamos por alguns segundos calados e então Lucy passou a fazer parte de meu contemplamento. Olhávamos distantes e daquele ponto podíamos ver a cidade entardecendo. A esquerda o velho moinho que já se aquietava a alguns anos e deixou de ser o esforço do sustento de muitas pessoas para agora exibir seu esqueleto vazado dando a nostalgia necessária ao ambiente. Junto de si o rio raso dobrando a vida sumia logo adiante.

Lucy entendeu finalmente, viu que a paz tinha morada e pôde então encontrar suas certezas. Deu de cara com minhas intensões e gostou.

Eu pude falar por alguns instantes, lhe dizendo sobre o prazer que tinha em encontrar tamanha paz e como sua presença engrandecia esse sentimento dentro de mim. Sua voz soava como a briza tardia que tombava o trigo. Seus olhos se escondiam atrás dos óculos e brilhavam como o sol tão tímido quanto, cansado por de trás da paisagem. E antes mesmo de concluir mais um dentre tantos elogios, Lucy me tocou no rosto, pediu sem dizer nada que me calasse e o mundo parou. Os pássaros calaram comigo e a luz se deteve em pausa, esperando dois meros segundos necessários para que seus lábios tocassem os meus e só então no toque a revoada partiu, a luz encandeceu queimando o céu de amarelo e a riqueza do momento fez o mundo parecer ser feito de ouro. O amor fez sentido e esta palavra me parecia próxima, familiar, da mesma forma que se faz quando somos tocados por uma linda canção.

O beijo durou o tempo necessário para se tornar inesquecível e no fim deixou o gosto do inicio de uma grande história. Logo após fomos embora antes que a noite deixasse de nos esperar e caísse. Na porta de sua casa, Lucy ainda teve tempo de sorrir e me agradecer por tê-la causado sensações que a muito não sentia. Mal sabia ela que toda honra na verdade era minha.

J.

Um comentário:

  1. Linda história.
    Obrigada pelas palavras e por me seguir.
    Abraços.
    Carmen Lucia.

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